Doenças bucais afetam mais de 3,5 bilhões de pessoas no mundo

No Dia Mundial da Saúde Bucal, celebrado em 20 de março, o alerta ganha ainda mais relevância.

Por: Redação
20/03/2026 às 08h36 Atualizada em 20/03/2026 às 09h31
saúde bucal

Mais de 3,5 bilhões de pessoas no mundo convivem com algum tipo de doença bucal, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Amplamente preveníveis, essas condições seguem entre os problemas de saúde mais comuns e avançam, muitas vezes, de forma silenciosa.

No Dia Mundial da Saúde Bucal, celebrado em 20 de março, o alerta ganha ainda mais relevância: a falta de cuidado regular e de prevenção mantém um cenário persistente também no Brasil.

Desigualdade e acesso limitado 

Dados do Relatório Global de Saúde Bucal da OMS mostram que cáries não tratadas em dentes permanentes estão entre as condições mais prevalentes no mundo.

No Brasil, o quadro reflete desigualdades de acesso e uma cultura ainda limitada de acompanhamento odontológico. 

fonte: IBGE

O impacto desse comportamento aparece ao longo do tempo. Ainda de acordo com o IBGE, milhões de adultos já perderam grande parte dos dentes, muitas vezes em decorrência de problemas que poderiam ter sido evitados com diagnóstico precoce e cuidados básicos.

Saúde bucal e doenças sistêmicas

A dentista e coordenadora do curso de odontologia da Faculdade Aria, Maria Letícia Bucchianeri, afirma que um dos principais equívocos ainda é tratar a saúde bucal de forma isolada.

“Existe uma relação direta entre doenças bucais e outras condições sistêmicas. Inflamações gengivais, por exemplo, podem agravar quadros de diabetes e estão associadas a doenças cardiovasculares”, diz.

Estudos recentes reforçam essa conexão. Uma revisão publicada na revista The Lancet destaca que a saúde bucal deve ser integrada às políticas públicas devido ao seu impacto amplo no organismo e na qualidade de vida.

“Não se trata apenas de dor ou estética. Estamos falando de infecções crônicas que podem afetar o corpo inteiro. Doenças bucais podem desencadear ou agravar quadros de saúde geral”, afirma a especialista.

prevenção saúde bucal

Prevenção

Apesar da alta incidência, a prevenção ainda é um dos principais desafios. No Brasil, boa parte dos atendimentos odontológicos ainda ocorre em situações de urgência, quando há dor ou desconforto já instalado.

“Muitas dessas doenças têm progressão silenciosa. Quando o paciente percebe, o tratamento tende a ser mais complexo e, muitas vezes, mais caro. Infelizmente, os exames periódicos odontológicos ainda não foram completamente incorporados aos cuidados de saúde geral por uma grande parcela da população”, explica.

Entre as medidas mais eficazes estão a escovação adequada ao menos duas a três vezes ao dia, o uso diário do fio dental e consultas periódicas ao dentista.

Ainda assim, a adesão a esses cuidados permanece irregular, especialmente em populações mais vulneráveis.

Alimentação e rotina 

A mudança no padrão alimentar da população também contribui para o avanço dos problemas bucais. O consumo elevado de açúcar e de alimentos ultraprocessados está diretamente associado ao desenvolvimento de cáries e doenças gengivais.

“A alimentação moderna tem impacto direto na saúde bucal. O excesso de açúcar e a frequência de consumo ao longo do dia favorecem o surgimento de lesões”, afirma Maria Letícia Bucchianeri.Além disso, fatores como estresse, tabagismo e higiene inadequada agravam o quadro e aceleram a progressão de doenças periodontais.

orientações 

Para a especialista, o Dia Mundial da Saúde Bucal deve servir como um ponto de virada na conscientização.

“A saúde bucal precisa ser incorporada à rotina de cuidados, assim como a alimentação e a prática de atividade física. Prevenir é sempre mais simples, menos invasivo e mais acessível do que tratar. Cuidar da boca é cuidar do corpo inteiro”, conclui.

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