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Argentina deixa a OMS e testa os limites da própria autonomia
Decisão espelha medidas de Donald Trump, importante aliado de Javier Milei.
18/03/2026 15h55 Atualizada há 6 meses
Por: Eduardo Moura | direto de Buenos Aires
O presidente da Argentina, Javier Milei 
(Tomas Cuesta/Getty Images) 

Viver em Buenos Aires é acompanhar decisões que rapidamente saem do plano interno e ganham peso global. A saída da Organização Mundial da Saúde é um desses casos.

Não é só política externa; é também  posicionamento.

O governo do presidente Javier Milei cumpriu o que prometeu. Formalizou o rompimento com um dos principais organismos multilaterais do mundo.

A decisão já era esperada, mas o impacto agora é concreto.

Uma decisão anunciada

A justificativa é conhecida e passa pela defesa da soberania, segundo Javier Milei. Há críticas à atuação da OMS durante a pandemia e rejeição a diretrizes que, na visão do governo, ultrapassaram limites técnicos.

É uma narrativa clara e coerente com o discurso de campanha do presidente da Argentina.

Em Buenos Aires, o tema divide opiniões. Há quem veja coragem política e quem enxergue isolamento desnecessário. O debate não é técnico; é ideológico. Está longe de ser consenso.

prédio da OMS

O papel da OMS

A OMS não é apenas um fórum, é uma rede de informação, alerta e cooperação. Funciona como um sistema de resposta rápida em crises sanitárias.

Sair desse sistema não é trivial e exige alternativas reais.

O governo aposta em acordos diretos e parcerias bilaterais. Milei quer menos intermediação global. É uma estratégia possível, mas mais complexa. Dependente de articulação constante.

Ao mesmo tempo, a decisão reforça a marca de Milei. Um presidente que confronta estruturas internacionais, que prefere rupturas a ajustes graduais e que transforma política externa em símbolo interno.

No fim, a decisão parece mais política do que técnica. Ao sair da OMS, Milei reforça a ideia de autonomia, mas abre mão de um espaço relevante de cooperação.

O risco é perceber o custo dessa escolha justamente quando a articulação internacional fizer falta. 

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