Personalização auxilia cirurgia refrativa em caso limítrofe

Oftalmologista explica como a tecnologia e a análise individualizada podem ampliar a precisão do tratamento e aumentar a chance de sucesso a longo ...

Por: Redação Fonte: Agência Dino
13/03/2026 às 13h46
Personalização auxilia cirurgia refrativa em caso limítrofe
Guy Canto

Problemas de visão continuam sendo uma realidade para milhões de brasileiros. Uma pesquisa realizada pelo projeto social Em Um Piscar de Olhos e divulgada pela CNN Brasil aponta que 19% das crianças e adolescentes entre 6 meses e 15 anos apresentam algum problema oftalmológico. O levantamento envolveu mais de 110 mil indivíduos de nove estados.

Já o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) estima que cerca de 23 milhões de brasileiros em idade escolar convivem com condições como miopia, hipermetropia e astigmatismo, segundo dados compartilhados pela Revista Crescer.

Nesse cenário, a cirurgia refrativa surge como alternativa para reduzir a dependência dos óculos ou lentes de contato. No entanto, em casos chamados de "limítrofes", que envolvem limitações em relação ao tecido ou estrutura que será removida ou tratada, a indicação pode exigir maior cautela.

De acordo com o médico oftalmologista Dr. Guy Romaguera Canto, "pacientes nessas condições apresentam margem de segurança menor do que a habitual nas cirurgias, o que pode aumentar o risco de complicações, principalmente ectasia corneana, ou de insatisfação visual".

O médico especialista explica que os critérios técnicos avaliados incluem exames como tomografia e topografia corneana, espessura da córnea, previsão de tecido a ser removido, grau e tipo do erro refracional, qualidade da superfície ocular, idade, estabilidade do grau e histórico familiar. "O conjunto desses fatores é o que define se o paciente pode ser operado com segurança", afirma.

Em relação às técnicas, Dr. Guy Romaguera Canto destaca que a escolha depende do perfil biomecânico e das necessidades visuais do paciente. "Em casos limítrofes, a tendência é optar por técnicas que preservem mais a biomecânica ou alternativas que não dependam da remoção de tecido corneano. O PRK costuma ser preferido em córneas mais finas, enquanto o LASIK exige critérios mais rígidos. O SMILE pode ser considerado em perfis específicos. Em alguns casos, a indicação mais adequada é a lente intraocular fácica ou até a troca do cristalino", ressalta.

Independência dos óculos e segurança ocular

Uma pesquisa realizada pelo Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro aponta que 41,19% dos participantes afirmam que o principal objetivo ao buscar a cirurgia é "zerar" o grau. Embora o desejo de independência dos óculos seja legítimo, o médico reforça que o cuidado precisa ser equilibrado com a preservação da saúde ocular.

"Esse equilíbrio é o coração da cirurgia refrativa responsável. Muitas vezes, a melhor decisão é não operar o paciente naquele momento, mas tratar a superfície ocular, reavaliar a condição ou indicar outra técnica mais adequada. Em alguns casos, a meta realista é reduzir a dependência, e não necessariamente zerar o uso dos óculos", avalia Dr. Guy Romaguera Canto.

No pré-operatório, a orientação é ainda mais criteriosa. "É fundamental reforçar que a cirurgia não é estética, mas um procedimento médico. O paciente precisa entender que pode haver necessidade de óculos residuais, especialmente para demandas específicas como leitura ou direção noturna. Também é essencial tratar olho seco ou blefarite antes da cirurgia, garantir estabilidade do grau e explicar com clareza riscos raros, porém relevantes, como ectasia, haze ou regressão", afirma.

O pós-operatório também exige acompanhamento próximo. Segundo o médico, o objetivo é detectar cedo qualquer sinal de cicatrização fora do padrão ou instabilidade. Flutuação visual persistente, piora de astigmatismo, sintomas de olho seco significativo ou sinais de instabilidade corneana merecem atenção imediata. Em qualquer técnica, sintomas desproporcionais, como dor intensa ou queda abrupta de visão, devem ser avaliados imediatamente.

O oftalmologista ressalta que a medicina personalizada tem transformado a abordagem em casos limítrofes, com tecnologias avançadas capazes de mapear a forma e espessura da córnea, otimizar a superfície ocular antes da cirurgia e discutir alternativas sob medida.

"Hoje a indicação não é baseada apenas em tabela de grau, mas em uma análise integrada do olho real do paciente e do seu estilo de vida. Às vezes, a melhor opção refrativa para aquele paciente é não mexer na córnea, mas optar por uma lente intraocular ou adiar a decisão", explica Dr. Guy Romaguera Canto.

Para o especialista, o objetivo final é devolver autonomia ao paciente sem comprometer a saúde ocular. "A personalização aumenta a chance de um resultado que seja bom não só no exame, mas na vida real do paciente", conclui.

Para saber mais, basta acessar: http://www.guycanto.com.br

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