Confusão nos sintomas atrasa diagnóstico de câncer infantil

Se descoberta cedo, a doença tem 80% de chance de cura, mas sinais podem se confundir com quadros comuns da infância.

Por: Redação Fonte: Agência Dino
26/02/2026 às 15h11
Confusão nos sintomas atrasa diagnóstico de câncer infantil
Banco de Imagens Envato

O câncer infantojuvenil é a segunda maior causa de morte entre crianças e adolescentes no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, e também um dos desafios da saúde pública no país, não apenas pela gravidade da doença, mas pela dificuldade em reconhecer seus sinais iniciais. Na infância e na adolescência, os sintomas costumam ser inespecíficos e facilmente confundidos com quadros comuns, como infecções, dores musculares ou alterações passageiras do crescimento, o que pode atrasar a investigação médica.

Nesse contexto, o papel de pais, responsáveis e adultos cuidadores é fundamental. A atenção a mudanças no comportamento da criança, queixas persistentes ou sinais físicos incomuns pode ser determinante para que o diagnóstico seja feito a tempo. Quanto mais cedo a doença é identificada e o tratamento iniciado, maiores são as chances de controle e cura, reduzindo também o impacto físico e emocional ao longo da vida.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA), por exemplo, indica que cerca de 80% das crianças e adolescentes com câncer podem ser curados quando o diagnóstico ocorre de forma precoce. Ainda assim, a descoberta tardia permanece como um dos principais fatores associados a desfechos desfavoráveis.

Câncer infantil tem características diferentes do câncer em adultos

De acordo com Walberto Mouzinho, profissional da área de pediatria do AmorSaúde, rede de clínicas parceiras do Cartão de TODOS, ao contrário do que ocorre na vida adulta, o câncer infantojuvenil não está relacionado a fatores como estilo de vida, alimentação ou exposição ambiental. "Na infância e na adolescência, a doença afeta geralmente as células do sistema sanguíneo e os tecidos de sustentação do organismo", explica.

Mouzinho detalha ainda que esses tumores costumam ter origem embrionária e são formados por células pouco diferenciadas, o que, em muitos casos, favorece uma melhor resposta aos tratamentos atualmente disponíveis, como quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e cirurgias oncológicas. "Essa característica ajuda a explicar por que as taxas de cura são mais elevadas quando a doença é diagnosticada precocemente", enfatiza.

Segundo o especialista, as leucemias, que afetam a produção de glóbulos brancos na medula óssea, são o tipo de câncer mais frequente entre crianças e adolescentes, seguidas pelos tumores do sistema nervoso central e pelos tumores do sistema linfático. Também fazem parte do grupo de cânceres com maior incidência na população infantojuvenil:

  • Neuroblastoma, se origina no sistema nervoso periférico e costuma acometer a região abdominal;
  • Tumor de Wilms, que afeta os rins;
  • Retinoblastoma, tumor que se desenvolve na retina;
  • Tumores germinativos, que atingem as células que dão origem aos ovários e testículos;
  • Osteossarcoma, tumor ósseo mais comum na infância;
  • Sarcomas, que acometem partes moles do corpo.

Sintomas iniciais exigem atenção redobrada

Um dos maiores desafios no enfrentamento do câncer infantil é justamente identificar quando sintomas aparentemente simples deixam de ser normais. O médico alerta que "queixas persistentes ou sinais de anormalidade devem sempre ser levados em consideração e avaliados por um profissional de saúde". De acordo com ele, entre os sinais que merecem atenção estão:

  1. Palidez, que pode indicar alterações na produção das células do sangue;
  2. Hematomas ou sangramentos frequentes, sem relação clara com traumas;
  3. Dolor óssea ou dor em membros, especialmente quando persistente ou acompanhada de inchaço;
  4. Caroços ou inchaços, principalmente indolores, sem febre ou sinais de infecção;
  5. Perda de peso inexplicada, mesmo sem mudanças na alimentação;
  6. Tosse persistente, sudorese noturna ou falta de ar, que não melhoram com tratamentos habituais;
  7. Alterações nos olhos, como estrabismo repentino ou manchas brancas na pupila, conhecidas como "olho de gato";
  8. Inchaço abdominal, que pode estar associado ao aumento de órgãos internos;
  9. Dores de cabeça persistentes ou intensas, sobretudo quando acompanhadas de vômitos pela manhã e piora ao longo do dia.

Mouzinho ressalta que a presença isolada de um desses sinais nem sempre indica câncer, mas a persistência ou a combinação entre eles deve motivar investigação médica.

Diagnóstico e tratamento exigem rapidez e acompanhamento médico

O diagnóstico do câncer infantojuvenil envolve exames clínicos, laboratoriais e de imagem, que variam conforme o tipo suspeito da doença. A confirmação rápida permite que o tratamento seja iniciado o quanto antes, fator decisivo para o sucesso terapêutico.

O médico destaca que o tratamento costuma ser prolongado e pode envolver quimioterapia, radioterapia, cirurgias oncológicas e, em casos específicos, transplante de medula óssea. "Quando iniciado precocemente, além de aumentar as chances de cura, o tratamento tende a ser menos agressivo e com menores riscos de sequelas", afirma.

A conscientização da população sobre os sinais do câncer infantil e o fortalecimento do papel da família no reconhecimento precoce da doença são estratégias fundamentais para reduzir diagnósticos tardios. "Observar, escutar e valorizar as queixas das crianças é um passo essencial para garantir acesso rápido ao cuidado e melhores perspectivas de futuro", finaliza Mouzinho.

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