Argentina vive nesta quinta-feira (19) um dia de forte mobilização social e política com uma greve geral de 24 horas convocada contra a reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei, atualmente em debate na Câmara dos Deputados.
A paralisação, promovida pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), afetou amplamente setores como transporte público, serviços e comércio e resultou em confrontos entre manifestantes e policiais nas imediações do Congresso Nacional, na capital argentina.
A mobilização ocorre enquanto deputados analisam o projeto já aprovado pelo Senado na semana passada. A proposta altera pontos centrais da legislação trabalhista do país.
Sindicatos e organizações sociais acusam o governo de promover um retrocesso nos direitos dos trabalhadores e de ampliar a precarização das relações de emprego.
Já o Executivo sustenta que as mudanças são necessárias para modernizar o mercado de trabalho, reduzir a informalidade e atrair investimentos.
A adesão à greve foi ampla. Serviços de transporte como trens, metrô e parte das linhas de ônibus ficaram suspensos, bancos e repartições públicas reduziram ou interromperam atividades, e companhias aéreas registraram cancelamentos de voos domésticos e internacionais.
A paralisação afetou inclusive rotas com destino ao Brasil, em razão da adesão de trabalhadores aeroportuários.
Em Buenos Aires, manifestantes se concentraram nas proximidades do Parlamento ao longo do dia. Durante os atos, houve registros de confronto com as forças de segurança, que utilizaram métodos de dispersão para conter grupos mais exaltados.
O clima de tensão marcou o entorno do Congresso enquanto a sessão avançava.
A expectativa é que a votação se estenda até a madrugada de sexta-feira. O governo trabalha para consolidar apoio suficiente para aprovar o texto, possivelmente com ajustes pontuais.
Para as centrais sindicais, no entanto, a mobilização desta quinta representa um sinal de resistência social diante das mudanças propostas.
A crise expõe o momento de forte polarização política e social na Argentina, em meio a um cenário de ajustes econômicos e reformas estruturais defendidas pelo atual governo.
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